sexta-feira, janeiro 26, 2007


Sal


largo agora

os meus braços cansados

fecho meus olhos úmidos

lacrimejados

de nada valem as palavras

inverteu-se o verso

o suco da minha dor

largo em cima do papel

o meu coração estampado

sangrado em fios

de arame farpado

quebrado o cristal

o lilás se fechou

na saudade esquecida

deixe-me quietinho

voltarei a sorrir

somente agora

neste efêmero momento

triste...meus versos

estão todos molhados

com perfume de jasmim

que meus olhos derramaram



Cláudia Gonçalves e Ludiro

segunda-feira, janeiro 01, 2007


Momento

Um sobejo de luar
espalhando
aroma de vinho
o corpo acolhido
em brumas de seda

aflorando desejos
o amor a bala-lança

num broto de manhã
um sol furta-cor
pinta e borda

e o tempo em sintonia
com o universo
que o desejo toca
move-se lento

no sal do corpo
um silêncio terno
sorvendo
o sabor do momento

Cláudia Gonçalves

terça-feira, dezembro 26, 2006


Floral

te trago cheiros
aroma de Flores
jasmim, cravo
rosa, lírio,
margaridas...
pincelada de paixão

ao ultrapassar
a fronteira do abraço
palavras voam
em bandos...

tangido no tecido pele
o nervo se contrai

buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis
amarelo malva

em luz rubro-fogo
brotam girassóis

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Quintana


Paródia
Parafrasenado Drummond em homenagem a Quintana.

No meio do caminho tinha um Quintana
Imortal...porque
Tem um Quintana no meio do caminho!
Terá um Quintana no meio do caminho...
No meu caminho tem um Quintana
Em cada coração sensível,
Entrará um Quintana
No meu caminho,
no seu caminho,
no nosso caminho
Lá estará um Quintana
No meio do caminho...

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 11, 2006

*****


...porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas...

Artur Gomes

terça-feira, novembro 21, 2006



Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem.
na pele, no osso
o medo, o terror
e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal...
ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram
com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas
que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor
e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor.

Cláudia Gonçalves


Nós

Olhar vazio
...devaneio
arrebol
em movimento

é entrega
...reencontro
almas ligadas

marca
de coisas vividas
sentidos atentos

gesto,olho,boca
...tudo conhece

a pele grita
coração voa
e ali só a lua
doce confidente muda

Cláudia Gonçalves
Chama

queima ativa
de corpos
...fagulha
de medo

...boca
saliva solar
em fusão
veloz...

num forte
pulsar
...ao som
do poro
aberto

sol ao longe
a borrifar luz
...paixão
e desejo

na pele crua
...cala a noite
vermelha

...volúpia
em sonho
sentir...
...voltar
acordar

Cláudia Gonçalves
Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
...mas o porto
é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir

...invadir o silêncio
e a insônia banir

Cláudia Gonçalves


Alma de poeta

Carrega sonho
em metáforas
atenta aos amores
as partidas,
o som,o silêncio...

o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção

magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta

e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta

Cláudia Gonçalves