quinta-feira, maio 03, 2007

Dueto Cacau & Marçal


Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
mas o porto é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir
invadir o silêncio
e a insônia banir


Cláudia Gonçalves

banirei a insônia
pra invadir o silêncio
e ao esculpir o Poema
bordarei palavras
brotadas do desejo

deixarei propositalmente
o pensamento voar
neste porto insone

exausto vejo tombar
em cristais,
pálpebras
zombeteiras em gotas
de silêncio
porque suave
e melancolicamente
quero rimar no embalo
a noite linda!

Marçal Filho

domingo, abril 29, 2007

Rebento


Rebento

Que seja pleno
se tardar...tanto faz
quero agarrar o poema
com as unhas do coração
e não negar
o que explode em mim

quero rasgar o peito
com um verso feito

...que seja bobo
ou que me questione
mas que me leve
e me aprisione

Cláudia Gonçalves

quinta-feira, abril 05, 2007



Ultravida

Ah! Devolva-me intacta
a brisa perdida nos descaminhos.
Que o cinza não cubra o arco-íris
e no rebento da onda
não me fuja a poesia.

Rejuvenesço,
enquanto o tempo
mata a vida nas dobras da pele.
Carcomidas pela ferrugem das horas
as dobradiças do tempo
não articulam novos movimentos.

A poesia flana na alma
enquanto a morte
agiganta-se na carne.
O corpo atracado no porto,
assiste ao poente
que repete paisagens do que foi
vivido, cismado, divagado, perdido.

A alma, em outras paragens,
navega em mar alto,
com a certeza
de que depois do porto
nada é findo, mas inefável...

Não há como fugir nem fingir, começo a crer:
há um desarranjo no duplo que me faz.

Cláudia Gonçalves & Ednilson de Paulo
Paulo Obrigada pela feliz parceria nesta poesia.
Foi um grande prazer escrever com vc!
Te adoro meu amigo!
Poetabeijocacau.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007



Anjo sem asas

O sol acorda sorrindo
ao menino
de olhos fundos.
a ferro e fogo
espancado
estômago gargalha.
olhar insano
do destino corrompido
infância queimada
pobre menino
café com pão
manteiga não
contido o sorriso
pegadas de dor
na corrida do sonho
café com pão
comida não
um silêncio noturno
traz no olhar...
nem café nem pão.

Cláudia Gonçalves e Benvinda Palma


Lua no Breu

A lua, quando nasce, é um cisco
Semente... serenata
Flutuando ao léu

De corpo crescente ou minguante
Uma nau brincante no céu
Que navega e reluz
Entre as estrelas
Entalhes de prata

Luz que silencia no alto
Um enigma que a todos conduz.

Caminhemos, tu e eu
Em alento, júbilo de peregrino
Pela clara beleza da noite
Enquanto a lua, agora plena
Vai desafiando o breu.


Cláudia Gonçalves & Ricardo Reis

terça-feira, fevereiro 13, 2007



Oásis


a lua que sonhei

na vastidão

era fogo iluminando

a planície solidão

muito ao longe

trazia a memória do tempo

impressa no cosmo

te encontrei

sob esta luz

prata - candeeiro.



Cláudia Gonçalves e Jiddu

quinta-feira, fevereiro 01, 2007


Círculo morto

Éramos círculo morto

velas trancadas no peito

corpos gêmeos em cortejo

demarcando o circo do todo

fecharam-se às cortinas

grafadas de intensa busca

da solidão túnel da boca

afundada em fumaça garganta

vinham acordes de terra umedecida

num chão de dor arterial

dos anos e anos da vida entalhada a frio.

éramos nós quando tudo era ausência,

e no centro da essência

destilou o aroma presente,

mas com um passo a frente,

estávamos a doisperdidos

nos descaminhos.

Cláudia Gonçalves e Marko Andrade

sexta-feira, janeiro 26, 2007


Sal


largo agora

os meus braços cansados

fecho meus olhos úmidos

lacrimejados

de nada valem as palavras

inverteu-se o verso

o suco da minha dor

largo em cima do papel

o meu coração estampado

sangrado em fios

de arame farpado

quebrado o cristal

o lilás se fechou

na saudade esquecida

deixe-me quietinho

voltarei a sorrir

somente agora

neste efêmero momento

triste...meus versos

estão todos molhados

com perfume de jasmim

que meus olhos derramaram



Cláudia Gonçalves e Ludiro

segunda-feira, janeiro 01, 2007


Momento

Um sobejo de luar
espalhando
aroma de vinho
o corpo acolhido
em brumas de seda

aflorando desejos
o amor a bala-lança

num broto de manhã
um sol furta-cor
pinta e borda

e o tempo em sintonia
com o universo
que o desejo toca
move-se lento

no sal do corpo
um silêncio terno
sorvendo
o sabor do momento

Cláudia Gonçalves

terça-feira, dezembro 26, 2006


Floral

te trago cheiros
aroma de Flores
jasmim, cravo
rosa, lírio,
margaridas...
pincelada de paixão

ao ultrapassar
a fronteira do abraço
palavras voam
em bandos...

tangido no tecido pele
o nervo se contrai

buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis
amarelo malva

em luz rubro-fogo
brotam girassóis

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Quintana


Paródia
Parafrasenado Drummond em homenagem a Quintana.

No meio do caminho tinha um Quintana
Imortal...porque
Tem um Quintana no meio do caminho!
Terá um Quintana no meio do caminho...
No meu caminho tem um Quintana
Em cada coração sensível,
Entrará um Quintana
No meu caminho,
no seu caminho,
no nosso caminho
Lá estará um Quintana
No meio do caminho...

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 11, 2006

*****


...porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas...

Artur Gomes

terça-feira, novembro 21, 2006



Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem.
na pele, no osso
o medo, o terror
e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal...
ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram
com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas
que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor
e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor.

Cláudia Gonçalves


Nós

Olhar vazio
...devaneio
arrebol
em movimento

é entrega
...reencontro
almas ligadas

marca
de coisas vividas
sentidos atentos

gesto,olho,boca
...tudo conhece

a pele grita
coração voa
e ali só a lua
doce confidente muda

Cláudia Gonçalves
Chama

queima ativa
de corpos
...fagulha
de medo

...boca
saliva solar
em fusão
veloz...

num forte
pulsar
...ao som
do poro
aberto

sol ao longe
a borrifar luz
...paixão
e desejo

na pele crua
...cala a noite
vermelha

...volúpia
em sonho
sentir...
...voltar
acordar

Cláudia Gonçalves
Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
...mas o porto
é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir

...invadir o silêncio
e a insônia banir

Cláudia Gonçalves


Alma de poeta

Carrega sonho
em metáforas
atenta aos amores
as partidas,
o som,o silêncio...

o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção

magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta

e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta

Cláudia Gonçalves