quarta-feira, dezembro 26, 2007



Beijo guardado

No cais da boca
guardei seu beijo
pode abrir a janela
a paisagem é cristalina

é só uma gota de orvalho
neblina que vira verso
deixa chegar à retina

outra vez o sol ilumina
o dia que nasce azul

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 17, 2007



Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não...
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti

Cláudia Gonçalves

quinta-feira, dezembro 13, 2007



ma(R)io

O rio embriagado
pelas ondas do mar

...mar do rio
que o guaíba-rio abraçou

no alto de um andar qualquer
amoras,morangos,cerejas
vermelho rubro
...ao céu da boca

janelas mortas
em pedras vivas

e o sol foi tirando do bolso
um sorriso quente
e apaixonado

eram fogos de artifício
saudando mar e rio.

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, novembro 26, 2007



Breve

houve
um tempo
em que
o momento
voou
e passou
em silêncio

Cláudia Gonçalves


quinta-feira, novembro 22, 2007



Pupila

de repente

num piscar
o que era geleira
abriu-se
em chamas

a luz do teu olhar
despiu meus medos


é laço forte
que aperta
desperta
de um grito mudo

ecoando
até o infinito

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, novembro 21, 2007



Preciosidade

no
baú
dos
meus
encantos
te
guardei
nele
te
trago
te
leio
te
verso
e
parto
pro
meu
porto

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, novembro 19, 2007




Pele de jornal

No silêncio
que guarda
no armário do nada

um gole de esperança
vestido de solidão
pinta-se de coragem

e com um amargo
sal nos olhos
mais um dia termina
com gosto de não vivi

Cláudia Gonçalves


Inquietude

de toda
a estranheza
que me invade
entrego-me
a nudez
da poesia

Cláudia Gonçalves

terça-feira, novembro 13, 2007



Desencontro

por onde
não andei
estava
seu rastro

quando
adormeci
você passou

sem perceber
os sulcos
deixados
no caminho

Despertei
enquanto
o sol...
...ainda
dormia

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, novembro 07, 2007



vazio

Em pétalas
desfaço-me

e do avesso
...sentindo
o beijo do vento
exalando vanilla
a inundar o papel
em branco

com sabor
de mil folhas
o desejo vacila

quebrando o vazio
da marcha perdida
no sopro do tempo
nos labirintos da vida

Cláudia Gonçalves

sábado, novembro 03, 2007



enGano

...no ônix
do teu olho
vi um céu
de azul
sem fim

no teu porto
...um mar
de calmaria

rosas
sem espinhos
...só eu via

e ao despertar
...vi sangrar
a maresia

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, outubro 29, 2007



Inebrio

que se perdure
esta sede
que embriaga
meus sentidos

e que nos metros
de saudade
que nos separam

minha ponte
encontre
a sua

e no remanso
da aurora
não me fuja
a poesia

Cláudia Gonçalves


atemPoral

o meu agora
...sonha
palavras
ao vento
que morrem
na fumaça

o pensamento
...navega
na contra-mão

nada está
no lugar

...a certeza
que tenho
é que te quero
no meu
novembro

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, outubro 10, 2007



Louco amor

Homem
poema menino
é você na retina

corpo, alma
coração
e sentidos

no sonho
te encontro
pulsando paixão

a meia noite
inteira
basta e arrasta
o som de um tenor

na pele o desejo
o louco grito do amor

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, setembro 12, 2007


desCaso

A ferro e fogo
marcados estão
com o prato vazio
...o sorriso tragado
por promessas em vão

no coração só mágoa
o sol? só uma bola
de onde desce o calor

na água do poço
não há reflexo
...só lama e dor

olhando a lua
o que vêem é o breu

estrelas?
beleza não têm
...só mesmo tristeza

medo até de dormir
pavor de acordar
são homens sem teto
com medo de amar

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, setembro 05, 2007



Sonho

Sinto-me
um barco perdido
a procura do cais

a cada nova aurora
ao sentir
o sopro do vento
ali estou, envolta em
um cobertor de sonhos

...querendo ver
o mundo suspenso
nos olhos dos meus desejos

e quem sabe ao anoitecer
o cobertor seja de beijos.

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, agosto 22, 2007



Lagoa

vestida de cristal
reflete o azul do céu
o verde das folhas
dançando ao vento

lagoa dos patos
aqui me liberto
transbordo em magia

rejuntando partículas
colhendo estrelas
dispo-me de mim
densa... sinto-me lua
e me vejo crescente
liberta inteira

em ondas sonoras
tuas águas me embalam
entrego-me e calo.

Cláudia Gonçalves

Mulher

Anoitece
na ante-sala do amor
transborda néctar
frutal
rosa chá

alma desnuda
saindo do prumo
tal fera selvagem

bastam os sentidos
e explode a paixão...

nas arenas do corpo
caem folhas de outono
e floresce
...mulher

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, agosto 17, 2007


Utopia

não é nada
é só poeira de sonho
de uma noite de outono

até esqueci
e deitei no vácuo
que ocupou meus ais

é só uma miragem
Pintando a face
de um amor distraído
que tropeçou no silêncio
e amanheceu você.

Cláudia Gonçalves.


Brisa

O breu
do meu cais
abre-se
em luz
entre
rochas
escorre
esperança
onde
monstros
não
habitam
mais.

Cláudia Gonçalves

Desejo

Deslizo
em dunas
procura
arfante

estilhaço
de emoção
um sol
distante

quero
do teu céu
toda a cor
que há...

refletir
este anil
que pinta
o ar.

Cláudia Gonçalves

Poetas

Cismam os poetas
que flores têm sabor
que saudade têm cheiro
que grita o silêncio

ah! nada acompanha
o pensar de um poeta
que beija a boca da noite
salta da ponte do sonho

e até ao relento...
com os sentidos atentos

rende-se à voz
do coração
que galopa
ao encontro do verso.

Cláudia Gonçalves

Sol noturno




Sol noturno

Te encontro
na delícia das maçãs
a pele orvalhada
de flores de ontem
no mel da retina
a taça do amor

ao tocar o desejo
o vinho de hoje

quebra o silêncio
um sussurro rouco
de palavras tontas
percorrendo
corredores estreitos
de um sol noturno

...desperto
ao sabor da manhã

Cláudia Gonçalves

quinta-feira, maio 03, 2007

Dueto Cacau & Marçal


Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
mas o porto é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir
invadir o silêncio
e a insônia banir


Cláudia Gonçalves

banirei a insônia
pra invadir o silêncio
e ao esculpir o Poema
bordarei palavras
brotadas do desejo

deixarei propositalmente
o pensamento voar
neste porto insone

exausto vejo tombar
em cristais,
pálpebras
zombeteiras em gotas
de silêncio
porque suave
e melancolicamente
quero rimar no embalo
a noite linda!

Marçal Filho

domingo, abril 29, 2007

Rebento


Rebento

Que seja pleno
se tardar...tanto faz
quero agarrar o poema
com as unhas do coração
e não negar
o que explode em mim

quero rasgar o peito
com um verso feito

...que seja bobo
ou que me questione
mas que me leve
e me aprisione

Cláudia Gonçalves

quinta-feira, abril 05, 2007



Ultravida

Ah! Devolva-me intacta
a brisa perdida nos descaminhos.
Que o cinza não cubra o arco-íris
e no rebento da onda
não me fuja a poesia.

Rejuvenesço,
enquanto o tempo
mata a vida nas dobras da pele.
Carcomidas pela ferrugem das horas
as dobradiças do tempo
não articulam novos movimentos.

A poesia flana na alma
enquanto a morte
agiganta-se na carne.
O corpo atracado no porto,
assiste ao poente
que repete paisagens do que foi
vivido, cismado, divagado, perdido.

A alma, em outras paragens,
navega em mar alto,
com a certeza
de que depois do porto
nada é findo, mas inefável...

Não há como fugir nem fingir, começo a crer:
há um desarranjo no duplo que me faz.

Cláudia Gonçalves & Ednilson de Paulo
Paulo Obrigada pela feliz parceria nesta poesia.
Foi um grande prazer escrever com vc!
Te adoro meu amigo!
Poetabeijocacau.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007



Anjo sem asas

O sol acorda sorrindo
ao menino
de olhos fundos.
a ferro e fogo
espancado
estômago gargalha.
olhar insano
do destino corrompido
infância queimada
pobre menino
café com pão
manteiga não
contido o sorriso
pegadas de dor
na corrida do sonho
café com pão
comida não
um silêncio noturno
traz no olhar...
nem café nem pão.

Cláudia Gonçalves e Benvinda Palma


Lua no Breu

A lua, quando nasce, é um cisco
Semente... serenata
Flutuando ao léu

De corpo crescente ou minguante
Uma nau brincante no céu
Que navega e reluz
Entre as estrelas
Entalhes de prata

Luz que silencia no alto
Um enigma que a todos conduz.

Caminhemos, tu e eu
Em alento, júbilo de peregrino
Pela clara beleza da noite
Enquanto a lua, agora plena
Vai desafiando o breu.


Cláudia Gonçalves & Ricardo Reis

terça-feira, fevereiro 13, 2007



Oásis


a lua que sonhei

na vastidão

era fogo iluminando

a planície solidão

muito ao longe

trazia a memória do tempo

impressa no cosmo

te encontrei

sob esta luz

prata - candeeiro.



Cláudia Gonçalves e Jiddu

quinta-feira, fevereiro 01, 2007


Círculo morto

Éramos círculo morto

velas trancadas no peito

corpos gêmeos em cortejo

demarcando o circo do todo

fecharam-se às cortinas

grafadas de intensa busca

da solidão túnel da boca

afundada em fumaça garganta

vinham acordes de terra umedecida

num chão de dor arterial

dos anos e anos da vida entalhada a frio.

éramos nós quando tudo era ausência,

e no centro da essência

destilou o aroma presente,

mas com um passo a frente,

estávamos a doisperdidos

nos descaminhos.

Cláudia Gonçalves e Marko Andrade

sexta-feira, janeiro 26, 2007


Sal


largo agora

os meus braços cansados

fecho meus olhos úmidos

lacrimejados

de nada valem as palavras

inverteu-se o verso

o suco da minha dor

largo em cima do papel

o meu coração estampado

sangrado em fios

de arame farpado

quebrado o cristal

o lilás se fechou

na saudade esquecida

deixe-me quietinho

voltarei a sorrir

somente agora

neste efêmero momento

triste...meus versos

estão todos molhados

com perfume de jasmim

que meus olhos derramaram



Cláudia Gonçalves e Ludiro

segunda-feira, janeiro 01, 2007


Momento

Um sobejo de luar
espalhando
aroma de vinho
o corpo acolhido
em brumas de seda

aflorando desejos
o amor a bala-lança

num broto de manhã
um sol furta-cor
pinta e borda

e o tempo em sintonia
com o universo
que o desejo toca
move-se lento

no sal do corpo
um silêncio terno
sorvendo
o sabor do momento

Cláudia Gonçalves

terça-feira, dezembro 26, 2006


Floral

te trago cheiros
aroma de Flores
jasmim, cravo
rosa, lírio,
margaridas...
pincelada de paixão

ao ultrapassar
a fronteira do abraço
palavras voam
em bandos...

tangido no tecido pele
o nervo se contrai

buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis
amarelo malva

em luz rubro-fogo
brotam girassóis

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Quintana


Paródia
Parafrasenado Drummond em homenagem a Quintana.

No meio do caminho tinha um Quintana
Imortal...porque
Tem um Quintana no meio do caminho!
Terá um Quintana no meio do caminho...
No meu caminho tem um Quintana
Em cada coração sensível,
Entrará um Quintana
No meu caminho,
no seu caminho,
no nosso caminho
Lá estará um Quintana
No meio do caminho...

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 11, 2006

*****


...porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas...

Artur Gomes

terça-feira, novembro 21, 2006



Mãos de meninos

em esquinas e becos
tem mãos de meninos
que roubam
que matam
que morrem.
na pele, no osso
o medo, o terror
e na noite vazia
tem nas mãos de meninos
pedra, punhal...
ou serão
gotas de sonhos
que não germinaram
com os sentidos bloqueados
entre lama e fantasmas
o que tem no abandono
é o belo em carrancas
que traduz o escuro
o avesso da vida
corroendo a alma
com total dissabor
e nas mãos de meninos:
pedaços de nada
a bandeira da dor.

Cláudia Gonçalves


Nós

Olhar vazio
...devaneio
arrebol
em movimento

é entrega
...reencontro
almas ligadas

marca
de coisas vividas
sentidos atentos

gesto,olho,boca
...tudo conhece

a pele grita
coração voa
e ali só a lua
doce confidente muda

Cláudia Gonçalves
Chama

queima ativa
de corpos
...fagulha
de medo

...boca
saliva solar
em fusão
veloz...

num forte
pulsar
...ao som
do poro
aberto

sol ao longe
a borrifar luz
...paixão
e desejo

na pele crua
...cala a noite
vermelha

...volúpia
em sonho
sentir...
...voltar
acordar

Cláudia Gonçalves
Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
...mas o porto
é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir

...invadir o silêncio
e a insônia banir

Cláudia Gonçalves


Alma de poeta

Carrega sonho
em metáforas
atenta aos amores
as partidas,
o som,o silêncio...

o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção

magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta

e no delírio
da inquietude
está a alma do poeta

Cláudia Gonçalves