quinta-feira, abril 05, 2007



Ultravida

Ah! Devolva-me intacta
a brisa perdida nos descaminhos.
Que o cinza não cubra o arco-íris
e no rebento da onda
não me fuja a poesia.

Rejuvenesço,
enquanto o tempo
mata a vida nas dobras da pele.
Carcomidas pela ferrugem das horas
as dobradiças do tempo
não articulam novos movimentos.

A poesia flana na alma
enquanto a morte
agiganta-se na carne.
O corpo atracado no porto,
assiste ao poente
que repete paisagens do que foi
vivido, cismado, divagado, perdido.

A alma, em outras paragens,
navega em mar alto,
com a certeza
de que depois do porto
nada é findo, mas inefável...

Não há como fugir nem fingir, começo a crer:
há um desarranjo no duplo que me faz.

Cláudia Gonçalves & Ednilson de Paulo
Paulo Obrigada pela feliz parceria nesta poesia.
Foi um grande prazer escrever com vc!
Te adoro meu amigo!
Poetabeijocacau.

10 comentários:

Paulo disse...

Cacau, parceira e amiga, foi um prazer enorme escrever contigo, guardarei este poema com carinho especial! Um grande beijo pra ti poetisa!
Paulo.

Benvinda Palma disse...

Claudinha, Paulo, grandes amigos....grande mestres das palavras...grandes parceiros! Simplesmente DIVINA esta poesia!!! Sensibilidade, harmonia, ritmo, cadência....arrasaram amigos! Parabéns!Beijos afetuosos/bemtevi

Lenise disse...

Cacau querida!

Ultravida está realmente uma maravilha!!
A parceria deu muitíssimo certo!
Cada verso está uma preciosidade!
Muitos beijos da amiga, leitora e admiradora,
Lenise

Célia Lima disse...

Parabéns aos dois! Que sintonia... E que linguagem bela, numa poesia marcante! Beijos.

Ricardo S. Reis disse...

Lindo poema, Cacau e Paulo...Esta dissociação que sacaram entre corpo e alma, inteiramente lírica. A alma levando a flama da vida, segue descompassada, porque a poesia lhe permite, não se conforma com a finitude, rompe os prévios limites, reinstala a vida, buscando a imortalidade. O corpo observa do cais.
Maravilhoso.
É disso que vive um poeta, de ver e traduzir o indizível.....
Parabéns!!!
Ricardo S. Reis

Edgar Alejandro Quezada disse...

Lindo texto hermético e místico ao mesmo tempo de uma realidade óbvia, parabéns,abraço.

Edgar Alejandro

Anônimo disse...

Triste reconhecer a chegada do fim ...esse poema me deixou depressivo.bjux...Lobo.

Aroeira disse...

maravilhoso!
bjo pra ti

*andorinharos@ disse...

Não poderia deixar passar a oportunidade de comentar uma obra como esta. Cacau, esta poesia, Entrelinhas, possui um conteúdo de verdades e leveza que não faz voar a alma, mas levitar os pensamentos...Teu blog inteirinho é de um ritimo brando que nos envolve de tal maneira, que não resistindo o consumi todo, como goles pausados de um finíssimo vinho.
Obrigado pelo convite.
Beijos da Marisa Rosa.

godofredo disse...

cacau, adorei tuas poesias, tua parceria.não sou critico.só posso dizer que é como um orgasmo, lindas .vc é uma artista.fenix. achei demais.e a escolha das fotos ou vc faz? são lindas.gostei continue...vc vai longe.bjs