Quarta-feira, Agosto 05, 2009



isento

por favor
não faça alarde
eu conheço essa arenga
vire o disco
bata a porta


- já fechei todos os poros –

troquei a arena
...ficaram pérolas
bem guardadas
pra brilhar
em outra cena

cláudia gonçalves

Quinta-feira, Julho 16, 2009


uniVerso

na
Corda
banba
bailam
letras
tontas
ondas
di_verso
da
poesia
ainda
não
lida

Cláudia Gonçalves

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009



Do cinza ao arrebol

a correnteza
joguei toda
a mágoa
no papel
sangrou a poesia

o coração
dilatado
em cativeiro

na revolta do mar
intimo e vasto
- um navio negreiro -

inda que os deuses
desaprovem
de ti
não me afasto

por mais
que me levem
as águas

no encanto do azul
dançam
as três marias

e se o rumo
do vento mudar
nascerão açucenas
na janela do sol

Cláudia Gonçalves & Ricardo Sant’anna Reis

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009



garça na areia
calando o uivo do vento
o som do mar

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Outubro 22, 2008



Caçada

fome
de arte
me tome

grito
teu nome
no ar

- te invoco
no sonho -
na trilha
na rede

da esquina
até marte
não vou
me burlar

vem...
vou amar-te
- é meu foco -
não posso adiar

Cláudia Gonçalves


Petição

vai...
madrugada
insone


me desperte
com o beijo do sol

Cláudia Gonçalves

Sexta-feira, Outubro 17, 2008



conCreto

dentro
dos
olhos
brilho
espesso
-lágrima
sólida
embriagada
de
saudade

Cláudia Gonçalves


Quinta-feira, Julho 31, 2008



epitáfio

aqui não Jaz
_nada
em
prefiro navegar

no abraço
das ondas
o mistério do mar

despertando
a poesia
que ficou
no cais

Cláudia Gonçalves



Quarta-feira, Julho 16, 2008



Absinto

nos cantos da casa
amores_vestígios
nuvem evidente
a bulir o instinto

jogada ao vento
a certeza furtiva
que algo no tempo
perdeu o sentido

o acre sabor
congela o gemido
-nos porões da alma
adormece a ferida-

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Julho 09, 2008


So_turno


pra
zombar
do
cr
epúsculo

sol_
vejo
cravejado
de
estrelas

sol_

R
......I
..........N
...............D
....................O

Cláudia Gonçalves

Terça-feira, Julho 08, 2008

Suspiro ou aurora

não foi insônia
nem medo
do escuro

foi o brilho do sol
que acordou
sorrindo

ao ver a lua
mergulhando
no

I
.........N
................F
........................I
................................N
........................................I
.................................................T
.........................................................O

Sábado, Junho 28, 2008


(a jiddu saldanha)
da janela do outono
fogem beijos e cores
-folhas secas-


Cláudia Gonçalves

Sexta-feira, Junho 27, 2008



Mutação

congelei a lágrima
deixando
escorrer o mel

bebi
nas curvas
do tempo

-um néctar de céu-

do pó
recomeço
do fel
guardarei o doce

ébria ou sóbria
vejo a dor
-diluída em versos-

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Junho 02, 2008



Fases

a
...lua
..........minguante
...........................de
.................................tédio


ficou

.........cheia
...................de
........................razão

subiu
..........no
...............salto

numa
..........crescente

..........................vida
.................................nova

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Maio 05, 2008



Fênix

vazio em ecos
descortinado sentido
sonho renasce
...retalhos

pássaros em cores
num vôo sonoro
de alma livre

cirandando a luz
de pirilampos
um denso desfiar
de emoções

Cláudia Gonçalves

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Amoreira plantada por crianças da ong do
sitio do Juca em Guaratinguetá - SP, e pelo poeta Tonho França.
Só mesmo em poesia, é possível demonstrar a emoção

que senti ao receber um presente tão especial!



a(MOR)a

entre pétalas

de silêncio

aflora

carmim_desejo

doce sabor

de amora


Cláudia Gonçalves


Quarta-feira, Abril 09, 2008



Lapso

meados
de um
dia branco

dos poros
da alma
exala
poesia

alterando
calendários

Cláudia Gonçalves

Sexta-feira, Março 14, 2008



pa_lavra

na
lavra
do
pensamento
a
larva
da
palavra
cava
o
torto
verso
meu

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008



Parceria poética com jeito de canção.
Do poeta, Rogerio Santos, sou suspeita para falar... afinal sou fã de carteirinha...
adoro o estilo despojado e ao mesmo tempo bem arquitetado de sua poesia.
obrigada pela feliz parceria!
Para conhecer mais do trabalho do poeta e letrista Rogério Santos (clique em)
"Folha de cima"
É um lindo blog!

Hipótese
CLÁUDIA GONÇALVES

ROGERIO SANTOS


bem que poderia
o dia equatorial
burlar a sina

bem que poderia
a pira do sol
se despir poesia

enfeitar o dia
com onze horas
de final de tarde

bem que poderia
quem sabe um dia
bem que poderia

embocar a boca
na boca da noite
boreal

bem que poderia
livrar a noite
das lentes escuras

e você me ver passar
no meio da multidão
só pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema só pra gente
universo meu e seu

Sexta-feira, Janeiro 18, 2008



Hipótese

bem que poderia
a noite livrar-se
das lentes escuras

e você me ver passar
no meio da multidão
só pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema só pra gente
universo meu e seu

Cláudia Gonçalves

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008



Do calar

às
vezes
basta
ouvir
o
silêncio

e
tudo
muda
de
lugar

na
esquina
do
calar

foi
ali
que
nos
perdemos

Cláudia Gonçalves

Domingo, Janeiro 06, 2008


Noite

Salgado silêncio
pintado de breu

andando
de rua em lua
buscando a cor
na derme do escuro

um mergulho vermelho
no túnel da boca

um coral
de palavras loucas
entorpecendo
...cantando
em labaredas

beijos
que inflamam
aquecem
transpiram
e calam

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Dezembro 26, 2007



Beijo guardado

No cais da boca
guardei seu beijo
pode abrir a janela
a paisagem é cristalina

é só uma gota de orvalho
neblina que vira verso
deixa chegar à retina

outra vez o sol ilumina
o dia que nasce azul

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007



Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não...
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti

Cláudia Gonçalves

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007



ma(R)io

O rio embriagado
pelas ondas do mar

...mar do rio
que o guaíba-rio abraçou

no alto de um andar qualquer
amoras,morangos,cerejas
vermelho rubro
...ao céu da boca

janelas mortas
em pedras vivas

e o sol foi tirando do bolso
um sorriso quente
e apaixonado

eram fogos de artifício
saudando mar e rio.

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Novembro 26, 2007



Breve

houve
um tempo
em que
o momento
voou
e passou
em silêncio

Cláudia Gonçalves


Quinta-feira, Novembro 22, 2007



Pupila

de repente

num piscar
o que era geleira
abriu-se
em chamas

a luz do teu olhar
despiu meus medos


é laço forte
que aperta
desperta
de um grito mudo

ecoando
até o infinito

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Novembro 21, 2007



Preciosidade

no
baú
dos
meus
encantos
te
guardei
nele
te
trago
te
leio
te
verso
e
parto
pro
meu
porto

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Novembro 19, 2007




Pele de jornal

No silêncio
que guarda
no armário do nada

um gole de esperança
vestido de solidão
pinta-se de coragem

e com um amargo
sal nos olhos
mais um dia termina
com gosto de não vivi

Cláudia Gonçalves


Inquietude

de toda
a estranheza
que me invade
entrego-me
a nudez
da poesia

Cláudia Gonçalves

Terça-feira, Novembro 13, 2007



Desencontro

por onde
não andei
estava
seu rastro

quando
adormeci
você passou

sem perceber
os sulcos
deixados
no caminho

Despertei
enquanto
o sol...
...ainda
dormia

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Novembro 07, 2007



vazio

Em pétalas
desfaço-me

e do avesso
...sentindo
o beijo do vento
exalando vanilla
a inundar o papel
em branco

com sabor
de mil folhas
o desejo vacila

quebrando o vazio
da marcha perdida
no sopro do tempo
nos labirintos da vida

Cláudia Gonçalves

Sábado, Novembro 03, 2007



enGano

...no ônix
do teu olho
vi um céu
de azul
sem fim

no teu porto
...um mar
de calmaria

rosas
sem espinhos
...só eu via

e ao despertar
...vi sangrar
a maresia

Cláudia Gonçalves

Segunda-feira, Outubro 29, 2007



Inebrio

que se perdure
esta sede
que embriaga
meus sentidos

e que nos metros
de saudade
que nos separam

minha ponte
encontre
a sua

e no remanso
da aurora
não me fuja
a poesia

Cláudia Gonçalves


atemPoral

o meu agora
...sonha
palavras
ao vento
que morrem
na fumaça

o pensamento
...navega
na contra-mão

nada está
no lugar

...a certeza
que tenho
é que te quero
no meu
novembro

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Outubro 10, 2007



Louco amor

Homem
poema menino
é você na retina

corpo, alma
coração
e sentidos

no sonho
te encontro
pulsando paixão

a meia noite
inteira
basta e arrasta
o som de um tenor

na pele o desejo
o louco grito do amor

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Setembro 12, 2007


desCaso

A ferro e fogo
marcados estão
com o prato vazio
...o sorriso tragado
por promessas em vão

no coração só mágoa
o sol? só uma bola
de onde desce o calor

na água do poço
não há reflexo
...só lama e dor

olhando a lua
o que vêem é o breu

estrelas?
beleza não têm
...só mesmo tristeza

medo até de dormir
pavor de acordar
são homens sem teto
com medo de amar

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Setembro 05, 2007



Sonho

Sinto-me
um barco perdido
a procura do cais

a cada nova aurora
ao sentir
o sopro do vento
ali estou, envolta em
um cobertor de sonhos

...querendo ver
o mundo suspenso
nos olhos dos meus desejos

e quem sabe ao anoitecer
o cobertor seja de beijos.

Cláudia Gonçalves

Quarta-feira, Agosto 22, 2007



Lagoa

vestida de cristal
reflete o azul do céu
o verde das folhas
dançando ao vento

lagoa dos patos
aqui me liberto
transbordo em magia

rejuntando partículas
colhendo estrelas
dispo-me de mim
densa... sinto-me lua
e me vejo crescente
liberta inteira

em ondas sonoras
tuas águas me embalam
entrego-me e calo.

Cláudia Gonçalves

Mulher

Anoitece
na ante-sala do amor
transborda néctar
frutal
rosa chá

alma desnuda
saindo do prumo
tal fera selvagem

bastam os sentidos
e explode a paixão...

nas arenas do corpo
caem folhas de outono
e floresce
...mulher

Cláudia Gonçalves