domingo, maio 27, 2012















paradoxo

cismam os poetas que flores têm sabor
que saudade tem cheiro
- que grita o silêncio -

ah!
nada acompanha o pensar de um poeta
que beija a boca da noite
salta da ponte do sonho
e até ao relento com os sentidos atentos

rende-se a voz do coração
que galopa ao encontro do
verso

cláudia gonçalves


sexta-feira, março 02, 2012












balsâmico
no aroma que vem com você
artemísia
alecrim

nesse reino que é pimenta picante
coentro
poró

raiz forte
- quando a noite cair

se o sal escorrer da retina
e a névoa o olfato
alterar

- salvianiz -

cláudia gonçalves

segunda-feira, novembro 07, 2011




nu

na pele crua
  a verdadeira face
  face à carne
  faz-se nua

  - farto
  o homem
  em descaminhos

  revira o lixo da história
  procura pétalas
  - asas
  escassas

  na sorte da rua
  colhendo migalhas
  da própria amargura
 
  sem lume
  e nenhum perfume
  volta ao beco

  - ainda oco de tanto eco -
 
  cláudia gonçalves

quarta-feira, outubro 26, 2011




partida

se te pareço
insana
ao beijar a taça
na embriaguez
da noite
fria

é meu adeus
calado
no silêncio rubro
do tinto seco


cláudia gonçalves

sexta-feira, setembro 23, 2011



vigília

noite embala melancolia
ruídos
- zombam em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta

- o porto é insone -
pensamento voa
brota o desejo
de abraçar o silêncio
e um poema
parir

cláudia gonçalves


cerne


o pensamento navega
no subterrâneo
da emoção


magia que pulsa
nas entrelinhas
do que projeta

no delírio
da inquietude
está a alma do poeta

cláudia gonçalves



domingo, agosto 28, 2011



ebulição


a noite se arrasta
na pista do
desassossego

que teima
acordar
os fantasmas

que habitam
o musgo
do tempo-ido

cláudia gonçalves

sexta-feira, junho 10, 2011



agrura


farpado é o
arame
que arranha os
afetos

no rodapé
das
entrelinhas

- vazio sem rastro -

cláudia gonçalves

sexta-feira, março 11, 2011









 
hiato

folha a folha
despiu-se o outono
num súbito piscar

- seca no jardim do afeto -

cláudia gonçalves

quinta-feira, março 10, 2011



a intrusa

se esconde
em mim
            uma outra
que me arranca
do que
            não quero

por momentos
       se apodera
            me parte

sai da superfície
- é só arte -

sem o peso dos medos
que tenho

cláudia gonçalves

terça-feira, março 01, 2011



trânsito

[para Moacyr Scliar]

cortina de vento
a vida passa
sem aviso

..........prévio


cláudia gonçalves

quinta-feira, setembro 23, 2010


 
foto-grafia

te vejo em pele
de uva
nas flores de ontem
- completo a taça –


faço metáfora
o tinto de hoje


quebrado o silêncio
um sussurro rouco

- palavras tontas –


percorrendo estreitos
de um só
...........noturno


cláudia gonçalves

terça-feira, agosto 31, 2010










agridoce

arde na veia
pimenta
.........picante

no destravar
da língua
..........voa

pousando livre
o mel
no poema

cláudia gonçalves

quarta-feira, agosto 25, 2010









lacuna
 
embrenhado
na trama
saiu de cena

no canto do ser
coube o vazio

- perdido enredo -

ficou de fato
o escasso
sorriso teu

cláudia gonçalves

segunda-feira, maio 31, 2010



afrasia

......a palavra
...................zune
.........................à deriva

........................despido
..............o verso
.........cala

cláudia gonçalves

quarta-feira, agosto 05, 2009



isento


por favor
não faça alarde
eu conheço essa arenga
vire o disco
bata a porta

- já fechei todos os poros –


troquei a arena
...ficaram pérolas
bem guardadas
pra brilhar
em outra cena


cláudia gonçalves

quinta-feira, julho 16, 2009



uniVerso

na
Corda
bamba
bailam
letras
tontas
ondas
di_verso
da
poesia
ainda
não dita

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, fevereiro 06, 2009



Do cinza ao arrebol

a correnteza
joguei toda
a mágoa
no papel
sangrou a poesia

o coração
dilatado
em cativeiro

na revolta do mar
intimo e vasto
- um navio negreiro -

inda que os deuses
desaprovem
de ti
não me afasto

por mais
que me levem
as águas

no encanto do azul
dançam
as três marias

e se o rumo
do vento mudar
nascerão açucenas
na janela do sol

Cláudia Gonçalves & Ricardo Sant’anna Reis

quarta-feira, fevereiro 04, 2009



garça na areia
calando o uivo do vento
o som do mar

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, outubro 22, 2008



Caçada

fome
de arte
me tome

grito
teu nome
no ar
 

te invoco
no sonho
na trilha
na trama da rede

- no mar

da esquina
até marte
não vou
me burlar

vem...
vou amar-te
- é meu foco -
não posso adiar

Cláudia Gonçalves


Petição

vai...
madrugada
insone


me desperte
com o beijo do sol

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, outubro 17, 2008



conCreto

dentro
dos
olhos
brilho
espesso
-lágrima
sólida
embriagada
de
saudade

Cláudia Gonçalves


quinta-feira, julho 31, 2008



epitáfio

aqui não Jaz
_nada
em
prefiro navegar

no abraço
das ondas
o mistério do mar

despertando
a poesia
que ficou
no cais

Cláudia Gonçalves



quarta-feira, julho 16, 2008



Absinto

nos cantos da casa
amores_vestígios
nuvem evidente
a bulir o instinto

jogada ao vento
a certeza furtiva
que algo no tempo
perdeu o sentido

o acre sabor
congela o gemido
-nos porões da alma
adormece a ferida-

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, julho 09, 2008


So_turno


pra
zombar
do
cr
epúsculo

sol_
vejo
cravejado
de
estrelas

sol_

R
......I
..........N
...............D
....................O

Cláudia Gonçalves

terça-feira, julho 08, 2008

Suspiro ou aurora

não foi insônia
nem medo
do escuro

foi o brilho do sol
que acordou
sorrindo

ao ver a lua
mergulhando
no

I
.........N
................F
........................I
................................N
........................................I
.................................................T
.........................................................O

sábado, junho 28, 2008


(a jiddu saldanha)
da janela do outono
fogem beijos e cores
-folhas secas-


Cláudia Gonçalves

sexta-feira, junho 27, 2008



Mutação

congelei a lágrima
deixando
escorrer o mel

bebi
nas curvas
do tempo

-um néctar de céu-

do pó
recomeço
do fel
guardarei o doce

ébria ou sóbria
vejo a dor
-diluída em versos-

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, junho 02, 2008



Fases

a
...lua
..........minguante
...........................de
.................................tédio


ficou

.........cheia
...................de
........................razão

subiu
..........no
...............salto

numa
..........crescente

..........................vida
.................................nova

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, maio 05, 2008



Fênix

vazio em ecos
descortinado sentido
sonho renasce
...retalhos

pássaros em cores
num vôo sonoro
de alma livre

cirandando a luz
de pirilampos
um denso desfiar
de emoções

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, abril 11, 2008

Amoreira plantada por crianças da ong do
sitio do Juca em Guaratinguetá - SP, e pelo poeta Tonho França.
Só mesmo em poesia, é possível demonstrar a emoção

que senti ao receber um presente tão especial!



a(MOR)a

entre pétalas

de silêncio

aflora

carmim_desejo

doce sabor

de amora


Cláudia Gonçalves


quarta-feira, abril 09, 2008



Lapso

meados
de um
dia branco

dos poros
da alma
exala
poesia

alterando
calendários

Cláudia Gonçalves

sexta-feira, março 14, 2008



pa_lavra

na
lavra
do
pensamento
a
larva
da
palavra
cava
o
torto
verso
meu

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, fevereiro 25, 2008



Parceria poética com jeito de canção.
Do poeta, Rogerio Santos, sou suspeita para falar... afinal sou fã de carteirinha...
adoro o estilo despojado e ao mesmo tempo bem arquitetado de sua poesia.
obrigada pela feliz parceria!
Para conhecer mais do trabalho do poeta e letrista Rogério Santos (clique em)
"Folha de cima"
É um lindo blog!

Hipótese
CLÁUDIA GONÇALVES

ROGERIO SANTOS


bem que poderia
o dia equatorial
burlar a sina

bem que poderia
a pira do sol
se despir poesia

enfeitar o dia
com onze horas
de final de tarde

bem que poderia
quem sabe um dia
bem que poderia

embocar a boca
na boca da noite
boreal

bem que poderia
livrar a noite
das lentes escuras

e você me ver passar
no meio da multidão
só pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema só pra gente
universo meu e seu

sexta-feira, janeiro 18, 2008



Hipótese

bem que poderia
a noite livrar-se
das lentes escuras

e você me ver passar
no meio da multidão
só pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema só pra gente
universo meu e seu

Cláudia Gonçalves

quinta-feira, janeiro 17, 2008



Do calar

às
vezes
basta
ouvir
o
silêncio

e
tudo
muda
de
lugar

na
esquina
do
calar

foi
ali
que
nos
perdemos

Cláudia Gonçalves

domingo, janeiro 06, 2008


Noite

Salgado silêncio
pintado de breu

andando
de rua em lua
buscando a cor
na derme do escuro

um mergulho vermelho
no túnel da boca

um coral
de palavras loucas
entorpecendo
...cantando
em labaredas

beijos
que inflamam
aquecem
transpiram
e calam

Cláudia Gonçalves

quarta-feira, dezembro 26, 2007



Beijo guardado

No cais da boca
guardei seu beijo
pode abrir a janela
a paisagem é cristalina

é só uma gota de orvalho
neblina que vira verso
deixa chegar à retina

outra vez o sol ilumina
o dia que nasce azul

Cláudia Gonçalves

segunda-feira, dezembro 17, 2007



Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não...
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti

Cláudia Gonçalves